17 novembro 2017

1, 2, 3!

Um grande jogo de Taça
Duas belas confirmações.
Três flagrantes constatações em consequência.
Vibrante, bem jogado, emocionante até ao fim, com vitória da melhor equipa sobre uma equipa adversária que repete boa actuação no Dragão.
FC Porto com jogo ao arrepio do futebol produzido, alvo da maior eficácia contrária coroada com um golo soberbo que enganava o resultado mas não impedia a fluidez do melhor futebol que precisava afinar a pontaria.
O FC Porto devia ter ampliado a vantagem antes de sofrer. Não evitou sofrer com as adversidades que ajudaram o Portimonense a ganhar confiança.
O banco portista foi decisivo e a persistência em não se deixar abater com factos do jogo a funcionarem como maré imprevista contrária foi determinante para uma vitória como antigamente, arrancada a ferros por nunca desistir de vencer.
No bom comportamento do Portimonense foi pena alguma dureza excessiva e excessos também a queimar tempo. Resultou numa expulsão inatacável e nuns minutos suplementares que evitaram o prolongamento. Prémio para as crença de um enorme coração portista e castigo para o adversário que se acomodou a uma vantagem injusta e usou antifutebol a ver se colava uma qualificação que seria de todo muito feliz, mas há que entender essa estratégia final dos algarvios, bem como regozijarmo-nos de não ter sido bem sucedida, graças a uma arbitragem correcta, o que só valorizou o epílogo dramático e empolgante de um jogo a sério de Taça.

04 novembro 2017

Herrera Herrera

O Ferrari utilitário de Sérgio Conceição começa a sentir dificuldades com o andar das competições. O pior jogo da época, a vitória menos expressiva em casa no campeonato e só ampliada no fim, em contra-ataque, depois de golo saído de um canto.
Com lesões e castigos, a pouca amplitude de opções e talentos vai estreitando o canal de exibições vistosas. Chegou a arrepiar os cabelos a falta de qualidade no último terço do campo. Porque, sabedor, Domingos fez bloco baixo e tapou espaços entre linhas. E André André jogar atrás do Aboubakar só acentua as dificuldades de fazer a diferença que um fatigado Brahimi e um trapalhão Hernâni agudizaram.
Teve de ser o pulmão e a confiança renascida de Hector Herrera a mexer com tudo. Com Reyes bem na posição de Danilo, a cumprir castigo, o mexicano até distribuiu com mais acerto passes de médio alcance. Mas a locomotiva não tinha maquinista a não ser Herrera, a marcar sem cerimónias antes do intervalo e a conduzir a vitória a fechar a partida numa assistência para Aboubakar finalizar com classe.
Um oásis de categoria, clarividência e tranquilidade graças ao duplo Herrera que teve se impor o seu ritmo sempre forte numa equipa em desaceleração da Europa. Mais do que o cansaço, a falta de lucidez e desembaraço de André André restringiu muito o volume ofensivo que esmorecia de forma exasperante com o desacerto no remate: apenas um terço dos muitos tiros foram enquadrados, mesmo com muitas situações de remate dentro da área. Aboubakar e André André não obrigaram o gr do Belenenses a qualquer defesa e isso espelha a falta de decisão ou resolução na área que fez o resultado ficar em dúvida até ao fim de uma actuação globalmente em decrescendo, de pujança física, futebol vistoso e finalização ao nível arrasador que se via.
Vai-se espremedor o que há é nem assim, note-se, Oliver chega a ser solução...

01 novembro 2017

Na manta curta, enrolar o adversário

Jogo nervoso, ríspido, combatido mais do que jogado, com nervos porque as falhas seriam fatais e muito nervoso metido em cada lance. Percebido o adversário na partida da Alemanha, que fez precipitar muitos erros individuais e do plano de jogo, mudou-se o figurino, valeu a estratégia, raça, manha e valentia que faltaram nos últimos anos em equipas portistas tecnicamente melhores. E foi em esforço de superação que o FC Porto chegou aos 6 pontos, devolvendo ao RB os 3 golos de Leipzig.
Muito destapado e desccoordenado há 15 dias, o FC Porto tinha de cortar linhas de passe com o meio-campo mais perto da defesa, evitando jogo entre linhas dos versáteis alemães em toda a frente de ataque.
Depois era aproveitar os erros contrários como eles aproveitaram os do FC Porto antes. Bolas paradas não costumam ser pontos fracos de alemães, mas esta equipa de publicidade e marketing não é de figurino alemão tout court, pelo que houve que descer um nível no espectáculo do jogo para o FC Porto recusar o jogo de nível que o RB preferiria.
Houve só uma distracção no regresso do intervalo quando mal se percebia o novo Werner em campo. Mas a equipa reabilitou-se e feriu de novo em bola parada onde a insistência de Danilo e Herrera foram preponderantes nos dois golos.
Era óbvio que ao plano inicial faltava já Marega, que dava a profundidade necessária ao futebol mais esticado em passes longos e menos de apoio, com Brahimi e Corona retidos nas linhas. Aguentar firme e punir forte foi o remédio, com a manta curta mais ainda por falta de opções ofensivas. Enveredou-se por enrolar o adversário num jogo de luta, sem espaços, amiúde com faltas em função do jogo físico, que fez ressaltar algum nervoso miudinho, porque só a vitória importava. E o mais improvável golo de Maxi rematou a contenda difícil em que a estratégia prevaleceu, a mesma que era descurada nos anos anteriores em que jogadores como Oliver ou Otávio não encaixaram, mas André André serve perfeitamente. Fez-se mais das fraquezas forças, diminuindo o potencial do adversário e protegendo as fragilidades e falta de opções do FC Porto, sempre notórias nestes jogos de alto gabarito que mais exigem. Recusar um passo na sua forma de jogar serviu para dar dois em frente, sendo que o opositor também denota a sua inexperiência internacional.
Aproveitar os factores de jogo que nos podem ajudar é prova de inteligência mesmo que se perca nota artística, salvando-se o essencial, sem que algo esteja decidido no grupo.
Um alívio e uma libertação.

29 outubro 2017

Três pontos ganhos!

O FC Porto venceu por 3-0 no Bessa e, por isso, não precisou de recuperar de desvantagem. Quer dizer, quem ouvisse o treinador e o seu adjunto a comentarem, em directo, o jogo na SportTV, em vez de estarem no banco a testemunharem a derrota da sua equipa, poderia pensar que o Boavista estaria a ganhar por 3-0 e ainda na 1ª parte; faroleiro da sua estirpe, bajulado ainda tão novo, Jorge Simão, desta vez, com a lógica da batata comum a Jorge Jesus e uma ameba em vez de massa cinzenta a partilhar também entre eles, foi capaz de dizer que podiam ter ido para o intervalo a vencer - lógica que não colheria na partida com o Benfica, quando não dava jeito dizer que quem começou a vencer é que deveria vencer no final.
 
Treinadores da treta são assim e Sérgio Conceição confirma ser diferente - e por isso vai à frente. É difícil enfrentar um dia como o de hoje, com 25 horas e o FC Porto ter dormido mais 1h na liderança, embora os 28 pontos em 30 possíveis sejam ainda mais difíceis de engolir...
 
Mas convém, e deixar assentar. Foi o que o FC Porto fez: deixou o Boavista empolgar-se, como era previsto numa batalha, física, que se previa também com o moral dos últimos resultados, o Boavista duro e truculento, a jogar muito na barafunda e pouco no jogo em que raras ou até inexistentes foram as ocasiões de golo até ao descanso. Era preciso descanso, porque estes jogos de trepidação constante e nenhum esclarecimento servem a quem deixa o adversário esgotar energias, à falta de lucidez, para desferir golpes definitivos. Estão a ver um a pavonear-se à volta do ringue no 1º assalto e depois levar KO?. Foi o que se viu e o possível 3-0 para os visitados que se anteviam nos comentários parciais e nada parcimoniosos na televisão foi uma treta difícil de engolir ante o resultado final.
 
De repente, sem o FC Porto mudar muito a não ser subir um pouco a agressividade para se equivaler nas disputas de bola, o Boavista recomeçou lânguido e tosco e viu-se a perder 1-0. É difícil, para mais, ver isto assim, porque Aboubakar começou com um túnel e em lançar Corona na direita e este cruzar para Brahimi na esquerda, parecia uma autoestrada desconhecida o caminho do goleador portista até uma baliza... deserta!
 
Mas não foi o pior, porque nos comentários o Boavista era uma máquina. Estava a perder 1-0 e até devia logo começar a ficar com -1, porque aquele irrequieto pretinho na esquerda, já com um ca, barafustou o suficiente com o árbitro e pediu um ca para Felipe que, num tipo decente e fazendo jus a insígnias da FIFA, devia levar um segundo ca. Pior ainda, aquela entrada sem poder nem em sonhos jogar à bola e indo direitinho aos pés do Corona era para vermelho directo, mas não para um árbitro dos padres que não só ajoelham nas missas encomendadas como escreve no Facebook e esconde a mão e a mensagem.
 
A equipa que quase estava a vencer por 3-0, se considerarmos só as ocasiões dela e não o remate do Corona antes do intervalo e a perdida de Herrera logo após o 1-0, continuou a merecer os favores dos comentadores que se ausentaram do banco boavisteiro. Foi chato que a realidade do jogo tivesse virado o tabuleiro ao contrário, porque os golos escorriam noutro fluxo e com limpidez desarmante. Tanto que Marega, solto por Herrera, também voltou a fazer o gosto ao pé, tosco que seja, em mais uma autoestrada aberta quando o FC Porto, depois de deixar o adversário saltar e esbaforir-se, tocou a bola, subiu no campo, fez uns movimentos simples e mostrou que jogar é assim.
 
O comentador, com o seu adjunto, baixou do camarote da SportTV para o banco e foi substituir jogadores. Contentara-se, babara-se, com a táctica e o frenesim danado mas inóquo. Falou para as televisões, pródigas em acolher fala-baratos... Ao fazer as substituições, foi como se não as tivesse feito, porque autoestradas continuaram abertas e Brahimi, lançado por André André, foi assinar o ponto também, sem portageiro a barrar-lhe o caminho. Estava o Boavista a jogar com -1, com -2 como deveria? Não, gozou da bazófia costumeira, do parlapiú para as televisões, encantou parolos e deslumbrou basbaques. No fim, do 3-0 virtual, viu-se ante o 0-3 real. É do caralho, senhores ouvintes, diria o outro...
 
Então, depois das exibições de sonho do Benfica e do Sporting na véspera, uma semana depois do 5-1 do Sporting ao Chaves (um dia depois do 6-1 portista ao PF) que exaltou o pé-de-microfone da SportTV, extasiado e reverente perante Jesus no fim da partida, ao ponto de o menino do coro dizer que o Sporting assustava os adversários, temos visto quem anda assustado, quem faz pantomina e quem joga à bola. Jesus, livre do banho de humildade no confronto directo de Alvalade, julga fazer parte do lote. E o FC Porto ganhou 3 pontos mesmo, porque o Benfica os perdeu no Bessa, mantendo o 11 da goleada ao Paços e o passo certo que ninguém, até agora, acompanha. Nem os alambuzados das tv´s da parvalheira que julgam ser o trólóró capaz de vingar nas pantalhas onde a bola pincha...
 
E é isto que faz a diferença! O resto, é deixá-los pousar. 
 
nota: hoje escrevi num PC, o que faz também muita diferença...

24 outubro 2017

Greve à taça da treta

Aproveitando o golpe saloio dos árbitros tugas, grupo organizado de mafiosos que não gostam de ver revelados os seus conluios com outras associações de malfeitores, reforço a minha aversão a esta competição ridícula que esta época logrou retirar a única coisa positiva que lhe reconhecia: fazer os jogos de grupos em Janeiro, um período competitivo mortiço,  na sua maioria...
Assim, voto pela greve da esperteza saloia, ditada pelo órgão de classe de um grupelho com benefícios acima até das mordomias com que o governo serve os votos da Função Pública e mantém o cidadão, mais de 50% da populaça dependente directa ou indirectamente do Estado, acorrentado a quem lhe serve as migalhas levando o bolo todo.
Para mais padronizada por esse líder de indelével lambe-botismo que é o próprio presidente da APAF sem vergonha de mendigar uns bilhetezinhos e direito a entrar pela porta 18, a greve corajosa dos associados malfeitores do futebol mentiroso é digna de gente sem classe para o proverbial murro na mesa a dirigir aos jogos do campeonato.
Isto na altura em que se chateiam por lhes chamarem padres e devotos de missais vários só mesmo por paródia de não ser a Justiça a impedir a divulgação de informações que os incriminam dolosamente, enquanto atalhos bíblicos são versados contra dupla decisão da mesma Justiça em tema  de faca e alguidar, como se relatar a delapidação que o Corão impõe ao adultério fosse melhor solução.
Esse moço de recados Gonçalves, se não erro o nome, é tão digno de dirigir a classe de árbitros sem classe como o criminoso Costa manter o Governo sob o ladrar furioso da Esquerda acéfala para quem tragédias são manancial de História.
Num aparte, ter André André, Otávio e Oliver juntos é lembrar, fora os episódios dos árbitros mancomunados com o adultério da verdade desportiva, uma outra das razões de o FC Porto não ter sido campeão nos últimos anos.
Havia ladrões a roubar pobre futebol. Como há no Governo de cortes e cativações o crime de deixar morte e miséria à sorte.

21 outubro 2017

Nova vida

Não há qualidade suficiente para a Europa, mas dentro de casa o FC Porto arrasa. Depois de 5-2 ao Portimonense, 6-1 ao P. Ferreira, muito futebol, ataque incessante, espectáculo garantido a prender o adepto até ao fim, mesmo um aficionado simples da bola ficará entusiasmado. E Sérgio Conceição só meteu Corona em vez de Sérgio Oliveira, mudando o chip da equipa, além de Ricardo Pereira mostrar que Layun não tem dimensão para a lateral-direita, sendo até difícil perceber se o figurino é 4x3x3 não geométrico ou puro, se 4x4x2 amiúde ou mesmo 4x2x4 na fase avassaladora.
Significa que a equipa assimilou o pretendido pelo treinador. A equipa parece empenhada em assustar a concorrência doméstica, mesmo sem que pacenses, tal como antes os algarvios, tenham receado enfrentar o jogo com tremeliques.
Muita pressão, velocidade, trocas posicionais, verticalidade, bola tão solta quanto jogadores confiantes nos movimentos e no toque.
Pena Brahimi não ter marcado para todo o ataque ficar registado nos marcadores, mas aquele lance aberto ao findar da 1a parte pedia lucidez no remate para o canto deserto da baliza.

17 outubro 2017

Falharam todos!

Derrota inapelavel na Alemanha num jogo mal gerido desde a montagem do 11: começou no treinador com opções muito inconsistentes, mais do que discutíveis, passando pelos jogadores sem algum se destacar pela positiva, salvo o golo de quem também não o iliba de outras falhas.
De repente, uma mudança na baliza, de súbito a falta de intensidade nas disputas, de repente um frágil Castelo que deu cartas no Mónaco mas foi sem trunfos à Alemanha.
Não cito nomes propositadamente e coincidiu, no intervalo com a comunicação do PR que visou o Governo duramente sem citar nomes, de forma a só Marcelo criticar a Geringonça justamente no seu todo, ia o jogo a meio, respeitou o intervalo da bola, mas justificava a crítica ao FC Porto também.
Fica assim. E o FC Porto obrigado a bater o RB no próximo jogo ou hipoteca logo hipóteses de apuramento.

14 outubro 2017

Bom jogo

O FC Porto defrontou o Lusitano de Evora de forma muito séria e a jogar a sério. Valoriza a competição, respeita o adversário que fica com uma ideia do que é o nível mais alto e estimula os adeptos, que vêem não se tratar de uma brincadeira e que não se joga com o seu espírito desprezando a sua Carteira. Parabéns. Do 6-0 e das incidências pouca relevância terá o que se disser, a não ser que o desfecho é corolário da atitude!

01 outubro 2017

Uma equipa ganha, dois pontos perdidos

O FC Porto perdeu a oportunidade de distanciar-se com autoridade inquestionável na liderança que soube manter firme, sem conseguir ganhar em Alvalade pela primeira vez desde 2008, fruto de muito bom jogo, equipa sólida e competente mas incapaz de finalizar muitas ocasiões de golo.
Na cara de Patrício por 3 vezes, Aboubakar falhou. Fora o resto, de outras falhas em cima, mais uma bola na barra. Desta vez, com o Sporting a fazer o 1° remate aos 44 minutos sem perigo, nem em recargas a bola entrou.
A equipa foi brava e boa, agarrando a partida desde o início e deixando Casillas com o clássico mais sossegado da sua carreira.
Certo que as duas defesas estiveram muito bem, mas perdulário foi o ataque portista numa equipa ciente de todas as tarefas a fazer mas sem golos não se ganham jogos.
Quando, a essa falta de qualidade finalizadora, há que substituir Herrrera por Otávio e Aboubakar por Soares, percebe-se as limitações actuais do FC Porto, mesmo superior em todos os aspectos do jogo.
Soube a pouco e, de resto, numa partida com o árbitro Xistra a roçar a excelência, o que não é só merecedor de destaque, como a única vez em que não apitou para prejudicar o FC Porto.
Liderança firme, equipa ganha e processos consolidados aos quais outra qualidade de definição daria outra dimensão ao seu futebol maduro, sereno e consciente de todos os detalhes que definem as grandes equipas.
Atendendo às limitações conhecidas, o nível vai subindo e a confiança crescendo. Não parece mais a equipa infantil e desatenta dos últimos anos, mas quando jogadores como Corona e Oliver são suplentes não faz propriamente bem esse destaque, antes acentua o défice de reforço que se sabe para esta epoca
Sérgio Conceição meteu mesmo Sérgio Oliveira e só não repetiu a equipa do Mónaco porque Layun, em nível alto e atento, teve de render Ricardo. O treinador repetiu e ganhou. Tem a equipa na mão, o balneário solidário, um campeonato para ganhar a manter esta competência, não aquela do bacoco Jesus que começou a partida em casa em modo defensivo expectante à altura da sua bazófia.
Dois pontos perdidos com alguma frustração, mas muitas coisas ganhas ou pelo menos consolidadas, com créditos e confiança. Foi de líder que merecia mais: o comandante incontestado do campeonato e o treinador que demonstra saber o que fazer. Aplausos na amargura, por fim.

26 setembro 2017

Sérgio&Sérgio: podem repetir, sff?

Da pobreza franciscana do Dragão à opulência arrebatadora no Principado: o FC Porto reeditou o 3-0 ao Mónaco em Gelsenkirchen, Didier Deschamps reviu tudo agora na bancada e como treinador só dá França, mas este 3-0 principesco dos dragões não vale a final de 2004 mas foi uma primeira pequena final ganha pelo novo técnico portista pouco preocupado por entrar na milionária Champions sem trunfos na manga e muito dado a fazer render as pratas de uma casa remediada.
A entrada de Sérgio Oliveira, que eu e muitos nem saberíamos que ainda estava, regressado como outros, no plantel remendado não foi ao género do Costa lançado uma noite por António Oliveira em Old Trafford para ser queimado vivo pelos diabos. O médio portista mais dado a destaques pela negativa nas redes sociais por "socializar" em demasia para um profissional de futebol foi um sócio importante para o ressurgimento portista na Champions, depois da histórica derrota caseira de entrada há 15 dias.
Reforçou o meio-campo numa estratégia agora bem delineada por Sérgio Conceição, sem as avenidas oferecidas aos turcos para passearem no Dragão e até, com Marega descaído na direita, a barrar os corredores laterais aos da casa. Sérgio Oliveira, de quem mal se deu conta na meia hora inicial, fechava na esquerda, enquanto protegia e apoiava Brahimi.
Num terreno escasso onde o preço por metro quadrado é quase proibitivo e os bólides locais têm de refrear os cavalos de potência em ruas estreitas e quase sem rectas, apesar do circuito citadino da F1, o FC Porto vendeu de forma exorbitante o seu espaço de forma que nem os abastados monegascos puderam comprar.
Senhor absoluto do jogo, dominador estratégico e conquistador onde nunca vencera alguma equipa portuguesa e onde mora o campeão francês, o FC Porto não só fez esquecer a derrota caseira como lançou as bases de um projecto sério que tem de ser olhado pela óptica de Sérgio, o Conceição.
Tá visto que não olha a nomes e, confirmados os fiascos de Oliver e Corona, lança mão de alternativas até aqui imprevistas, para não dizer pior. Já tinha sido Layun, o patinho feio Herrera volta a fazer o seu caminho, o desengonçado Marega lá destrói o que não é para ficar em pé e o FC Porto descobre-se em fortuna e bonança.
Danilo sente dificuldades em jogar mais adiantado e perde posicionamento e bola muito mais à frente do que estava habituado. Mas a equipa ganhou agressividade táctica, posicional e quer nas divididas quer nas bolas paradas deixou de parecer infantil.
Eis que, repetindo nomes de Sérgio protagonistas, com Herrera a subir e Marega impetuoso, vê-se que não dá para emendar aquele tremendo fiasco de entrada, mas o outro ar que a equipa respira, fugindo ao trivial adivinhamento do onze - tão difícil de calcular como era com António Oliveira que lançou Sérgio Conceição no onze portista há 20 anos -, o painel de jogo é por todos partilhado e a míngua de opções uma oportunidade para todos.
Pode não ter o fito de repetir táctica e trunfos, mas se Mónaco e Sporting eram dois testes cruciais para a definição desta fase da temporada, este foi passado com excelência e em Alvalade dá mesmo para reeditar: o Sporting de Jesus joga basicamente com mo o Mónaco de Jardim, a quem o FC Porto fechou as avenidas centrais e limitou corredores laterais. A chave táctica da vitória teve um desempenho competente como há um ano se viu em Roma - foi 3-0 inédito em Itália que poucos já recordam - precisamente antes de uma visita à Alvalade onde então faltou golpe de asa e o modelo de jogo com tracção atrás não convencia...
Sérgio Oliveira compôs bem a manta e Sérgio Conceição, que não deixa correr o marfim desde o banco, ralhando aos jogadores e corrigindo como nenhum dos 5 antecessores fazia, mostra saber que o carrinho utilitário pode ir longe, quiçá fazer um jackpot no Casino em Montecarlo.
Um cheque farto em Alvalade, para deixar rivais a 5 pontos em Setembro, seria um seguro contra todos os riscos. E ricos.
Há gente feliz com o suficiente para viver bem.
Ora, seja com Sérgio&Sérgio ou de outra forma, não se importem de repetir domingo.
Para já, barriga cheia com jogo em cheio a que o rotundo resultado fez justiça. E que bem sentir a fuga ao vaticinio de último do grupo. A dupla jornada com o estreante de Leipzig que tem também um Dragão como estádio será precioso.
Foi assim, em 2008, com duas vitórias sobre o Hamburgo, que o FC Porto arrancou para uma bela época embora Jesualdo tivesse um plantel rico e farto, além de campeão.
A corrida de Conceição é outra. Etapa a definir: Alvalade.